Sem UTIs no SUS, governos recorrem à rede privada; debate sobre fila única ganha força

11 Mai 2020

 

Sem UTIs no SUS, governos recorrem à rede privada; debate sobre fila única ganha força

Com os leitos de UTIs no Sistema Único de Saúde de alguns estados lotados, governos buscam a rede privada. Isso já ocorre, por exemplo, em Pernambuco. Na cidade de São Paulo, o prefeito Bruno Covas já avisou que vai requisitar leitos caso não consiga chegar a um acordo para que os hospitais privados cedam UTIs para pacientes com Covid-19 que cheguem ao SUS. A prefeitura da capital paulista já assinou acordos para usar UTIs de 7 hospitais privados ao valor diário de R$ 2,1 mil por Unidade de Terapia Intensiva.

O médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor de Saúde Pública da USP e da FGV, a Fundação Getúlio Vargas, defende que uma fila única para UTIs públicas ou privadas é uma saída para salvar vidas.

"No SUS tem gente morrendo por falta de UTI. Eu preciso de leitos para brasileiros e eu esses leitos estão ali na rede privada, que tem cinvo vezes mais leitos por cem mil habitantes que o SUS. A proposta é negociar com a iniciativa privada essa fila única".

O especialista lembra que no SUS há 7 UTIs para cada cem mil habitantes, enquanto no setor privado essa proporção é de 38 leitos para cada cem mil habitantes. Questionado sobre a possibilidade de adotar a fila única para todo o país, o ministro da Saúde, Nelson Teich, diz que a medida precisa ser negociada com o setor privado.

"A gente tem que ser eficiente o bastante para fazer com que o sistema público seja capaz de enfrentar. Caso você chegue no limite, você vai sentar com a iniciativa privada e vai descobrir uma forma de trazer a saúde suplementar para fazer parte dessa solução do SUS como uma cooperação e não como uma tomada. O que a gente está discutindo aqui é uma forma de funcionar o país. Isso vai além da saúde. Isso é como as pessoas de fora vão olhar pra gente. Isso tem muito mais implicação que a Covid".

A Lei 13.979 de fevereiro deste ano permite ao poder público requisitar os leitos do setor privado durante uma emergência em saúde pública mediante pagamento posterior de indenização justa. No final do abril, o Conselho Nacional de Saúde recomendou aos gestores locais que estabeleçam o princípio da fila única para pacientes graves da Covid-19.

Procurada, a Associação Nacional de Hospitais Privados enviou uma nota onde afirma que o setor está comprometido em contribuir com o enfrentamento da Covid-19 e, por isso, está em contato frequente com o governo para buscar soluções. A associação dos hospitais privados diz ainda que não tem um balanço nacional das UTIs ocupadas neste momento, mas que, dos 14 hospitais membros do Rio de Janeiro, 90% das Unidades de Terapia Intensiva estão ocupadas.

Fonte: Agência Nacional