Previdência aberta terá R$ 1 trilhão em patrimônio até o final deste ano

31 Mai 2019

 

Previdência aberta terá R$ 1 trilhão em patrimônio até o final deste ano

O segmento de planos de previdência privada aberta (VGBL/PGBL) deve alcançar a marca de R$ 1 trilhão em reservas até o final de 2019. Em março último, esse patrimônio era de R$ 857,9 bilhões.

O volume em reservas aumentou 10% na comparação com março do ano passado, segundo dados divulgados na última sexta-feira pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), entidade que representa 67 seguradoras e entidades abertas de previdência complementar no País.

Na expectativa do presidente da Brasilprev, Walter Malieni, o setor de previdência aberta terá R$ 1 trilhão em reservas ainda este ano, impulsionado pela discussão da proposta de aposentadorias e pensões públicas. “Uma reforma que garanta uma idade mínima para aposentadoria deve trazer algum tipo de benefício para toda a indústria [planos privados] porque oferece a todos prazo para as pessoas se planejarem financeiramente”, diz.

O executivo contou que a Brasilprev trabalha com o cenário de aprovação da Reforma da Previdência Social. “A discussão é mais sobre qual será a reforma aprovada”, disse Walter Malieni, referindo-se indiretamente às incertezas sobre o tamanho da economia que o governo alcançará em 10 anos.

Questionado pelo DCI sobre a proposta de criação de um regime público de capitalização, e ideias como a “Previdência Direta” dos economistas Fabio Giambiagi e Felipe Vilhena, o presidente da Brasilprev respondeu que essas iniciativas podem concorrer com a previdência aberta. “Não é a melhor opção [a Previdência Direta], pois é concentrado em títulos públicos. Eu prefiro a capitalização individual [privada]. Se quisermos fazer uma ruptura nesse sistema, tem que deixar o participante escolher o modelo. Os mais jovens podem tomar mais risco”, diz.

Na opinião dele, a capitalização pública concorre com todo o mercado de investimentos financeiros. “Não avaliei profundamente ainda, mas a [ideia] da Previdência Direta ajuda a alongar a dívida [pública], e também concorre com o próprio Tesouro Direto”, diz.

Na visão de Malieni, uma vantagem da previdência privada aberta é poder se destacar [se separar] da gestão do Estado. “É natural que se tenha um regime de renda mínima [público], mas a partir de determinado ponto, a pessoa pode escolher onde alocar seus recursos e o seu projeto de vida”, observa o executivo.

Pelos números de Malieni, o segmento – de Planos Geradores de Benefícios Livres (PGBL), de Vida Gerador de Benefícios Livre (VGBL) e de planos tradicionais mais antigos – totaliza R$ 876,5 bilhões em patrimônio, sendo que a líder Brasilprev soma R$ 267 bilhões em recursos. Em março, o balanço da BB Seguridade do primeiro trimestre registrava reservas de R$ 263 bilhões.

Brasilprev Fácil

Para expandir sua base de atuação, Malieni divulgou o produto Brasilprev Fácil, que conquistou 130 mil novos participantes nos dez primeiros meses de comercialização. “Estamos investindo na criação de mercado, o Brasilprev Fácil é acessível a partir de R$ 100 por mês, e nosso ticket médio está em R$ 296”, revela o executivo.

Sobre a competição com plataformas de investimentos, o presidente citou que o setor defende (via FenaPrevi) maior transparência e clareza na comunicação com os clientes sobre os custos e taxas cobradas para aportes nos planos.

Fonte: DCI