Planos de saúde registram menor uso em quatro anos, com suspensão de cirurgias e exames eletivos

29 Jun 2020

 

Planos de saúde registram menor uso em quatro anos, com suspensão de cirurgias e exames eletivos

Os planos de saúde registraram, em maio, o menor uso por seus beneficiários desde o início da série histórica iniciada em 2016.O boletim da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), divulgado, nesta segunda-feira, mostra que a suspensão de cirurgias e exames eletivos por conta da pandemia por coronavírus, fez o desembolso das operadoras frente ao valor recebido de mensalidades cair de 76% abril para 66% no mês passado.

Isto é, do que as empresas do setor receberam de seus usuários, gastaram 66% para coberturas de atendimentos assistenciais. A média dos últimos quatro anos era de 76%, sendo o pico de 85%, em abril e junho de 2016.

O levantamento da ANS, com dados fechados em 31 de maio, também mostra uma ligeira alta do número de inadimplentes: a média subiu de 13% para 16%.

Apesar da rediução de custos, os planos de saúde não têm facilitado a negociação dos consumidores em dificuldade para pagar as mensalidades, diz Ana Carolina Navarrete, coordenadora de pesquisa em saúde, do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec):

— A inadimplência já subiu um pouco e a tendência é se agravar, já que as empresas estão dificultando a negociação de mensalidades. Por isso é tão importante que projetos de lei como PL 1542/20, que suspende os reajustes de planos de saúde, já aprovado no Senado e agora indo para a Câmara, tramite com celeridade e seja aprovado — destaca.

Para médica sanitarista, Ligia Bahia mais do que facilitar as negociações de inadimplentes, as empresas teriam condições hoje de oferecer algumas facilidades a quem perdeu renda:

— A redução da procura por cuidados lhes permite aumentar retornos financeiros porque recebem as mensalidades e estão pagando menos para os prestadores de serviços. Essa “folga” entrada de recursos preservada a inadimplência é pequena e menor saída para o pagamento das despesas assistenciais deveria estimular a redução temporária do valor das mensalidades — sugere.

Ocupação de leitos é menor do que em 2019

Os números da saúde suplementar de maio mostram ainda um aumento na taxa de ocupação geral de leitos (com e sem UTI), passando de 51%, em abril, para 61% em maio.Apesar da alta, o percentual ainda é menor do que o registrado em maio do ano passado quando era de 76%.

O boletim aponta ainda um crescimento significativo de leitos para atendimento à Covid-19 de abril para maio: de 45% para 61%.

Segundo o levantamento da ANS, os dados não indicam, até o momento, desequilíbrio assistencial ou econômico-financeiro no setor.

Em maio, registrou-se ainda o aumento na autorizações pelas operadoras de pedidos de exames e terapias. O volume, no entanto, ainda é 45% menor do que o registrado em maio no ano passado.

Em 9 de junho, a ANS acabou com a medida que flexibilizava o prazo para realização de cirurgias, exames e consultas eletivas pelas operadoras.

Hospitais e laboratórios disseram já estarem prontos para atender ao aumento de demanda. No entanto, especialistas analisam que a retormada dos procedimentos vai depender da contenção da evpidemia para que as pessoas se sintam seguras e voltem a sua rotina de cuidados médicos.

Para a elaboração do boletim a agência reguladora, para os dados assistenciais, utiliza informações enviadas por 50 operadoras classificadas que possuem hospitais próprios. Para a análise econômica são analizados os dados de 102 operadoras que juntas somam 74% dos usuários de planos de saúde médico-hospitalares do país.

Fonte: O Globo